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Para 2013...
... Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ter que aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos uma expectativa de surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo. Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que nunca aceite a idéia de que a maturidade exige certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar. Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo sempre, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias. Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e exigências de ser a melhor em qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis. Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as cosias que dão errado e também sobre as que dão certo. Permitir-me ser um pouco insignificante. E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Escutar-me e obedecer meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de situações cotidianas e despertadores na segunda-feira de manhã. Quero mais tempo livre e mais abraços! Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem á constante perseguição do que eu ainda não sei. Mantenha-se atrás da faixa amarela, não chegue muito perto, não se acerque de meus traumas, não invada meus mistérios, não se atrite com meu passado, não tente entender nada: é proibido tocar no sagrado de cada um.
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